sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O Retrato do Breakout

O rompimento da parte inferior do caixote em que o SPX ficou contido, e que foi formado por pregões com elevados volumes entre meados de outubro até recentemente, foi chancelado pelo DCB assinalado ontem, dia 20 de novembro.

Os dados macroeconômicos divulgados mais recentemente têm sido acompanhados por expressões do tipo “o pior desde x anos atrás e muitas vezes desde décadas atrás ou em toda a história do indicador”. O dado semanal sobre jobless claims divulgado ontem não fugiu à rotina, tendo sido o pior nos últimos 16,5 anos, mais precisamente desde a última semana de julho de 1992.

As dificuldades no arranjo político para o socorro da indústria automobilística norte-americana têm recentemente arrancado os cabelos dos investidores e credores, e não sem razão segundo alguns dados divulgados ontem pelo J.P. Morgan.

Mais de 10% dos junk bonds (high yields) foram emitidos pelas empresas do setor e um eventual colapso adicionaria pressões adicionais sobre os bancos. Coincidência ou não, o preço do seguro contra default (CDS) dos títulos emitidos pelo Citigroup, que oscilava paripassu com o do UBS, atingiu ontem um pouco mais de 380 pontos, contra 164 pontos do UBS, e somente foi superado pelo Morgan Stanley e American Express.

As empresas do setor automobilístico respondem por um pouco mais de 10% dos anúncios de propaganda, geram empregos diretamente em suas fábricas e indiretamente em uma vasta rede de fornecedores e de revendedores que pode chegar a 3 milhões de pessoas, equivalente em torno de 2% do nonfarm payroll, além de ser as maiores consumidores de aço, alumínio, cobre, plásticos, borracha e chips eletrônicos produzidos nos EUA.

Pesquisa recente revelou que 80% dos consumidores não comprariam veículos de empresas que recorrerem à proteção do chapter 11, que é um conjunto de leis e procedimentos com o objetivo de reorganizar financeiramente empresas insolventes.

Alguns indicadores do pregão de ontem, dia em que o breakout do caixote foi finalmente confirmado, estão resumidos no quadro abaixo e comparados com os registrados em 10 de outubro, dia em que a formação do caixote teve início e quando foram assinalados os piores indicadores no ano da carteira do SPX.


Fonte: KB

O volume financeiro e normalizado registrado ontem, quinta-feira, foi o 7° maior da história da carteira, 90,6% dos papéis fecharam o dia em downtrend mode (não confundir com o percentual dos papéis que caíram, menos o dos que subiram), 76,6% dos papéis registraram novas mínimas nos últimos 20 pregões e 69,8% nos últimos 60 pregões.

Para completar o retrato do dia, em média os papéis da carteira se situaram em 5% do intervalo entre as respectivas máximas e mínimas nos últimos 20 pregões (R HL 20), percentual que revela elevado grau de participação dos papéis na tendência. A fuga para dos investidores para os títulos T Bills de 3 meses derrubou a taxa para 0,03% aa, setores que representam 96% da capitalização total da carteira acompanharam o SPX no breakout (67,6% no dia anterior), os títulos high yields registraram o pior desempenho no ano e o Vix esteve 45% acima do meu modelo.

Uma consideração a parte sobre o sentimento bastante pessimista entre os traders de opções, cuja nota atingiu ontem 9,3 (nota entre 0, extremo otimismo, e 10, extremo pessimismo), bem superior aos 7,3 em 10 de outubro (quanto maior a nota mais bullish na ótica de um contrarian).

Embora o aumento do pessimismo entre os traders seja um aviso aos bears para não serem mais tão complacentes, esse perigo somente se materializaria caso entre em conflito com o price action, evidência inexistente até o momento.

Em resumo, os indicadores relativos ao pregão de ontem foram superlativos em termos de deterioração e, apesar de não terem superado os assinalados em 10 de outubro, no meu julgamento chancelaram o breakout.

No entanto, como a sanção sempre caberá ao mercado, a máxima intradia do DCB de ontem no SPX, que se situou em 821 pontos, passou a ser a fronteira entre o céu e o inferno, podendo servir como o 1° ponto de um trailing stop para os que se atreveram na venda.

4 comentários:

Richard disse...

KB,
acompanho seus posts desde outros sitios. Outro dia fuçando meus antigos arquivos encontrei um post seu de 2001 muito interessante!
Nele você analisava o grande bear iniciado em 2000. Sugerindo que o bear de 2002 a out 2002 (mesmo publicado em 2001, você tinha como palpite para o final do bear set/out 2002 BINGO!) seria uma GRANDE ONDA A. Terminada esta onda, seguiria uma GRANDE ONDA B que você acreditava que teria duração de 12 a 24 meses em que o otimismo voltaria com toda força.
E o BEAR seria finalizado numa GRANDE ONDA C em que você apontava que os riscos geopoliticos se acentuariam dramaticamente e com possíveis ameaças ao sistema bancário (Bingo de novo!)
A duração do grande Bear seria da Grande onda A a onda C = 7 a 10 anos.
RAZÕES DESSA LONGA DURAÇÃO

(a) critério histórico: os grandes BEARS geralmente duram cerca da metade do GRANDE BULL precedente que durou 18 anos (desde 1982 até 2000);
(b) tempo suficiente para PURGAR todo o EXCESSO de endividamento, alavancagem financeira e maus investimentos no mundo a fora

E olha que interessante as condições que vocÊ colocou para identificar o final da ONDA C;
III - CONDIÇÕES IDEAIS PARA IDENTIFICAR O FINAL DA GRANDE ONDA “C”

1) Baixa performance do mercado nos últimos anos, capaz de gerar uma capa nas principais revistas especializadas em finanças semelhante à famosa da Business Week em agosto de 1982;
2) Declínio das fusões e aquisições;
3) Histórico de lucros fracos das corporações;
4) Pouca participação das pessoas físicas e estrangeiros;
5) Resgate de fundos pelas pessoas físicas durante meses e talvez anos;
6) Recomendação de ações no portfólio ideal pelos estrategistas de WS abaixo de 50%;
7) Grande pessimismo entre os advisers
8) Drástica diminuição das vendas pelos insiders;
9) Elevado percentual de cash nos fundos mútuos;
10) Preços nos níveis MUITO ABAIXO da média histórica.

Você acredita que podemos estar dentro desse possível MOSAICO ?
Na verdade o BEAR de 2000 nunca terminou ? APenas a Onda B que durou um pouco mais do que o normal ?

Abs!
Richard

Richard disse...

ERRATA
Bear de 2000 a out 2002 e não 2002 a out 2002.

aguia disse...

Richard:

vez ou outra, quando e se autorizado pelo autor, pinço um coment aqui e o penduro no meu poste ali fora.

aguardo sua autorização para publicar êste seu (já inserida no texto a devida "correção" de 2.000).

( ) aguia.

KB disse...

Richard

Foi como mergulhar no túnel
do tempo :)

O novo mosaico está bem amadurecido, mas prefiro esperar um pouco mais para divulgá-lo.

Mas dessa vez serei mais reservado.

Deixe o teu email que daqui algum tempo eu comentarei esse post.

Abs