quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Um Novo Ator em Novembro

Contribuíram com fluxo positivo nas operações com ações na Bovespa no mês de novembro as pessoas físicas com R$ 0,45 bilhão e as empresas com R$ 1,11 bilhão. No lado oposto estiveram os estrangeiros com fluxo negativo de R$ 1,16 bilhão e as instituições financeiras com R$ 0,35 bilhão. Os investidores institucionais e os classificados na rubrica Outros não contribuíram para o fluxo líquido.

Fato comentado pelo Psycho (leitor do TiB), a partir do mês de outubro surgiu no mercado uma nova categoria de players na ponta da compra que foram as empresas, provavelmente para as suas tesourarias. As compras se intensificaram a partir do final de outubro até o final da 1ª semana de novembro. A partir do dia 21 do mês passado as tesourarias ou saciaram a sede ou o dindim acabou, pois sumiram de cena.


Fonte: Bovespa / KB

O gráfico acima mostra os volumes financeiros normalizados diários, ou seja, descontadas as oscilações dos preços para que sejam comparáveis com os volumes de qualquer época, das operações das empresas desde a 2ª quinzena do mês de agosto.

É um bom sinal? Claro que sim, afinal surgiu um novo ator para dar algum suporte aos preços. Na última sexta-feira, uma carteira representativa do mercado esteve cotada a cerca de 1,7 vezes o valor patrimonial. Se admitirmos um retorno sobre o patrimônio de 12,5% aa, a média histórica nos países emergentes, obtemos um Múltiplo normalizado (índice P/L projetado) de 13,4 vezes para aquele dia, que não é nenhuma barganha diante das circunstâncias, embora já não seja indecente.

Tendo sido durante 1 ano, em um passado não tão distante, diretor de Finanças Internacionais na Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) e convivido com parte da nata dos empresários industriais, em matéria de finanças eles não me impressionaram nem um pouco. Além da companhia das pessoas físicas, os desastrosos exemplos recentes com derivativos serviram para ilustrar como os Conselhos de Administração estavam despreparados e desatentos à monumental mudança de direção dos ventos.

7 comentários:

Carlos Magno disse...

KB,
desconsiderando a normalização, o volume compra e venda somados em novembro, foi 101 bilhão abaixo do volume de outubro (que tinha sido semelhante ao de setembro).
Foi um mês de volume médio muito baixo.

aguia disse...

Sir

parabens pelo enfoque:

VOLUME é uma chave de ouro, mas há que se saber usá-la.

ave

Anônimo disse...

KB buenas.......diz ai que P/L 13,40 jah eh uma coisa razoavel...serah?.....vamos usar o nosso famoso custo de oportunidade CDI liquido ai na casa de 12%....se fosse ação teria P/L de 6,5......metade.....caso para pensar não?...alias tem muitos multiplos P/L no mercado abaixo de 13,4 ...mas tem um big problem ai....ninguem sabe o lado direito do P/L....que pode cair (pouco,,muito) sei lah....para pensar.
saude e paz

Anônimo disse...

KB,

Outro dia vc comentou acerca do nível dos treasury... o que poderia indicar a aversão ao risco...pelo fato de as pessoas aceitaram taxas muito baixas para títulos de 10 anos...

Por outro lado, a procura atual pelos títulos pode não ser necessariamente aversão ao risco, mas absoluta especulação...

Com o FED prestes a diminuir a taxa básica para 0,5%... no futuro os instrumentos que poderão ser utilizados para aumentar a liquidez seria justamente a compra desses títulos pelo banco central... desde que a taxa seja superior ao que foi pago agora...

É isso??

Felicidade..

KB disse...

1° Anônimo

1-Vc escreveu: "ninguem sabe o lado direito do P/L". Resposta: Foi justamente por isso que eu NORMALIZEI o P/L.

2-Vc escreveu: "diz ai que P/L 13,40 jah eh uma coisa razoavel...serah?" Resposta: Eu não escrevi isso, vc inferiu.

Eu escrevi:"13,4 vezes para aquele dia, que não é nenhuma barganha diante das circunstâncias, embora já não seja indecente."

Não lhe tiro toda a razão pela pergunta, pois banco nesse país é melhor do que tráfico de drogas. E se descontarmos o Ibovespa pela taxa cdi estamos muito perto do low histórico!!!! No entanto, esse exercício esconde o fato de que no plano Collor houve um calote e somente quem recebeu de volta o seu dinheiro sem ter sido muito machucado foram os bancos (como sempre nunca perdem). Portanto, esse exercício de indexar ao cdi não pode ser aplicável strictu sensu às pessoas físicas.

No entanto, deve-se se perguntar até quando esse país suporta pagar juros de agiota? Há o risco de um dia .... pode parecer remoto.... mas eu já vivi esse momento.

Quando escrevi que não é indecente, o fiz após ter feito a comparação com a média histórica. No auge (de memória) o P/L normalizado chegou atingir 26 vezes.

Se vc tivesse feito a mesma observação em maio, então vc teria dito que atingiu um nível pornográfico.

2° Anônimo

Vc escreveu:” outro dia vc comentou acerca do nível dos treasury... o que poderia indicar a aversão ao risco...pelo fato de as pessoas aceitaram taxas muito baixas para títulos de 10 anos...”

Resposta: não reli o meu texto, mas taxa baixa de 10 anos apresenta uma forte correlação com a taxa de crescimento do Pib nominal. Aversão ao risco eu vi pela taxa da T Bill de 3 meses a 0,05% aa e não T Bonds de 10 anos.

Vc escreveu: “Por outro lado, a procura atual pelos títulos pode não ser necessariamente aversão ao risco, mas absoluta especulação”

Resposta: quer uma sugestão? Nunca siga essa linha de raciocínio. Isso é mercado, e muito líquido. Especulação? Claro, especulamos até para atravessar a rua, se um carro em alta velocidade vai ou não surgir do nada. Especulação não significa que não tenha um bom motivo por trás.

Vc escreveu: “ Com o FED prestes a diminuir a taxa básica para 0,5%... no futuro os instrumentos que poderão ser utilizados” Faça uma busca que vc encontrará um texto meu sobre Yield Curve e onde eu explico que o Fed não controla a taxa de 10 anos, pois o seu balanço é peanuts frente ao tamanho do mercado.

Abs a todos.

Anônimo disse...

ai KB valeu....desculpa se achou que inferi algo

abraço

Psycho disse...

Uma aula por dia, todos os dias. Adoro esse espaço. Obrigado, KB.