quarta-feira, 2 de setembro de 2009

KB, by e-mail ao bird: ESCUTE O SOM DO TROVÃO

o texto abaixo me foi enviado pelo KB, no dia 27/08 pp às 20:00 hs, com autorizacão daquele Fundador para publicação aqui no TiB:

"Escute o Som do Trovão

Aug 24: When bond alarms ring, stock holders are wise to listen; Corporate credit markets are no longer telling stock bulls to keep going - and in fact may be telling them they've gone too far.” (comentário do analista da CDR)

Fonte: CDR

O gráfico diário acima mostra a evolução do spread de uma carteira de títulos de crédito de alto risco (junk bonds) emitidos por corporações norte-americanas, que cobre o período desde o final de 2005 até o dia de hoje, 27 de agosto de 2009.

Tradução:

“24/08: Quando o mercado de títulos soa o alarme, os investidores em ações adotariam uma postura sábia se o escutassem; o mercado de crédito não mais chancela a alta nas cotações das ações – e de fato está sinalizando que a coisa já foi muito longe.”

Comentário do KB:

A discrepância entre os 2 mercados é coisa muito recente, desde o pregão de 18 de agosto, data em que o SPX engatou a marcha que resultou na sua mais recente trajetória de alta. É justamente o que venho alertando há alguns dias. Observe no gráfico acima que, apesar das novas máximas no SPX, o spread da carteira de títulos de alto risco não registrou mínimas inferiores, comportamento que se esperaria caso ambos os mercados estivessem alinhados.

A eficácia desse indicador pode ser notada tanto nos pontos de inflexão de um mercado de baixa quanto no de alta. Se voltarmos atrás no tempo, podemos notar na figura acima que o SPX assinalou uma mínima em março desse ano, enquanto que o spread da carteira de títulos de alto risco no gráfico acima registou máxima no final do ano passado e, desde então, não mais chancelou a continuidade da baixa nas cotações das ações que se estendeu até o mês de março de 2009.

No exemplo mencionado, o lead time (tempo de antecipação) foi de 3 meses, um espaço de tempo não muito longo para quem opera nesse horizonte, mesmo para os traders de curto prazo que já deveriam ser mais cautelosos em suas operações short.

Convém assinalar que esse lead time é variável e não há como saber quando a sinalização será materializada. Por exemplo, o selloff (queda aguda das cotações) no mercado de ações em julho de 2007 foi antecipado por uma alta nos spreads dos títulos de alto risco das carteiras que eu acompanho por apenas 1 mês. O término desse selloff ocorreu no mês de agosto de 2007 (quando o SPX deu início à sua última perna de alta antes que o bear market se instalasse) foi antecipado pelos spreads das carteiras por apenas 1,5 semana.

Há tempos que eu acompanho duas carteiras de títulos de alto risco (a do gráfico acima eu tomei conhecimento uns 2 meses atrás), sendo que eu somente presto atenção aos seus sinais quando as duas carteiras apontam na mesma direção, fenômeno que eu venho observando nas últimas semanas, igual ao mostrado na figura acima. Portanto, não há viés no comportamento dessas duas carteiras de high yields, pois outras estão emitindo o mesmo sinal agourento. Para piorar ainda mais, os títulos de baixo risco, classificados como investment grade, Aaa e Baa também estão apresentando o mesmo comportamento.

Certa vez eu comentei que nas minhas pesquisas, o spread dos títulos de alto risco foi um dos poucos indicadores macroeconômicos que eu descobri que tem se comportado na maioria das vezes, embora com uma ou outra exceção, como um indicador antecedente (leading indicator) do SPX com um lead time bem adequado, porque não muito elástico, diferentemente do caso do spread da curva de rendimentos (spread entre a taxa do T Bond de 10 anos e a taxa básica – fed funds – ou a taxa de 2 anos do Tesouro) que costuma antecipar as reversões em mais de um ano, uma eternidade para um trader.

De acordo com as minhas pesquisas, em cada 10 vezes em que houve uma divergência entre o comportamento do mercado de ações e das carteiras de títulos de alto risco que eu acompanho, em 6 delas os high yields (junk bonds) se anteciparam ao mercado de ações, em 3 delas assinalaram a reversão ao mesmo tempo (ou quase) e em apenas uma delas o SPX saiu na frente.

Não existe um indicador holy grail (no sentido de infalibilidade) e nesse rol eu também incluo os high yields, apesar de sua enorme eficácia, mas no momento a sinalização negativa do mortal R H-L diário (ver glossário no início desse blog) está alinhada à dos títulos de alto risco.

Eu penso que a lógica por trás da eficácia desse indicador macroeconômico reside no fato de que é natural esperar que o elo mais frágil de um organismo seja o primeiro a sentir as primeiras dores de uma moléstia e, portanto, o primeiro a soar o alarme de que algo não está bem.

Apesar do alarme que está sendo emitido pelo mercado de títulos de alto risco sobre a iminência de uma correção (baixa) nos preços, volto a afirmar o que eu já escrevi quando do meu primeiro comentário a respeito. Qual seja, a melhora dos spreads dos títulos de alto risco (queda do spread) foi tão espetacular (pode-se notar na figura a queda notável dos spreads) que, para matar esse bull market, será necessário uma discrepância muito mais acentuada do que a que estamos assistindo.

Em defesa dessa minha tese eu alegaria dois outros pontos positivos: (a) o comportamento saudável do leading indicator semanal do ECRI que não tem divergido do SPX e (b) o fato do R H-L semanal (o horizonte de análise do semanal é mais elástico do que o do diário mencionado anteriormente) do SPX estar acima de +80%, pois inexiste na história desse indicador técnico um exemplo de um início de um bear market com o R H-L semanal nesse nível.

Passada a correção nos preços das ações (baixa) que eu ainda espero para qualquer momento, mas cuja intensidade somente saberemos pelo Mr Mercado, no meu julgamento teremos uma nova oportunidade de compra que poderá se estender até meados do 1° semestre de 2010.

A partir de então, eu contaria com a morte do bull market e o reinício de um feroz bear que seria provocado pelos efeitos colaterais negativos das políticas fiscais e monetárias empregadas pela maioria dos governos e bancos centrais ao redor do mundo."

2 comentários:

Dirceu Junior disse...

Volta KB!!!

André disse...

Seria maiomenos assim?
http://evilspeculator.com/wp-content/uploads/2009/09/spx_bullish_scenario.png
Que coisa !!!