terça-feira, 23 de março de 2010

Do´s and Dont´s do setor de saúde

Falando em 10-year-trends, essa é fácil. O setor de saúde continuará a ser um negócio complicado pelos próximos 50 anos.

O setor de saúde tem características únicas para o investidor:
  • Por ser pouquíssimo verticalizado, ele é dividido em pontas. Algumas pontas operam a risco zero. Outras assumem muito mais risco que uma seguradora.
  • Ele é altamente susceptível a regulamentações que nunca vão parar de mudar.
  • Aliás, é característica dele que novas leis afetam fatos velhos.
  • Atua com demanda fortemente inelástica, como um setor.
Falando diretamente...

1. Eu tomaria cuidado em ser sócio de hospital ou plano de saúde. Estes setores atuam com um binômio não muito interessante: receita limitada e despesas ilimitadas. E a concorrência, quer me parecer, baixou os preços demais.

Na hora de fornecer o serviço para que foi contratado, o plano tenta se esquivar de todo jeito. Por muito tempo foi assim. Recentemente a regulamentação anda um pouco mais justa com o cliente. Mas isso só, por mim, já é sinal de que o planejamento econômico do plano não é redondo.

Por exemplo, a regulamentação tem evoluído no sentido de considerar que tratamentos de câncer ambulatoriais devem ser suportados pelo plano de saúde. Aí você vê a despesa aumentando sem contrapartida.

2. Distantes desta realidade são os odontológicos. Os serviços são baratos, as despesas, altamente limitadas. Aí temos um business com despesas e receitas perfeitamente equacionáveis.

Uma dental a preços baixos é quase um free lunch. Encontrá-las é que são elas...

3. Outros setores, mais marginais, atuam só como fornecedores de serviços e produtos. Novamente, assumem risco baixo, e pegam só a parte boa de um mercado crescente.

Por exemplo, farmácias e distribuidoras de medicamentos. Leia-se Dimed e Drogasil. Se compradas a preços baixos, apresentam baixo risco e receita crescente.

4. Idem quanto ao casamento de receitas e despesas, podemos citar os fornecedores de exames laboratoriais. Aqui no Brasil, DASA e Fleury.

Com algumas distinções. Embora seja um mercado de alto crescimento, exige um investimento alto em aparelhos que frequentemente terão de ser trocados antes do necessário.

Por outro lado, é um setor que não assume riscos desproporcionais, portanto tem bastantes condições de ser lucrativo no longo prazo. Mas como comprar dasa e fleury a estes preços?

6 comentários:

Fact Finder disse...

Interessante análise de negócio...Gostei. :)

Bob disse...

Se o Serra ganhar os planos(AMIL, Sulamerica, unimed, etc) vão sofrer ele vai aumentar exigências sem permitir reajustes. Na sequência disto, planos pagaram menos ou melhor não irão reajustar exames(laboratorio, ecografia, CT , etc).

Rafael disse...

- O mais conceituado Laboratório Clínico de Porto Alegre - Weimann -, há mais de 30 anos na praça, tentou reajustar seus preços com um grande plano de saúde - UNIMED -, perdeu a queda de braço.
- Remanchou durante dois anos: tentou manter-se com sua fiel clientela, indicaçoes de médicos, outros convênios... Não aguentou.
- Recentemente foi vendido ao Grupo Fleury, ....Menos mal para os pacientes.

aguia disse...

excelente !...

(como SEMPRE),

Mestre LAFA!!!

BRAÇÃÃÃÃÃÃÃÃO!

André disse...

E a Tempo. Atua em três frentes. Seguros de pequeno porte, Saúde e Odonto. Que achas???

Lafayette disse...

André!
Tempo eu ainda só estudo. Fora isso, estou fazendo uma comprinha no setor, o que me obriga a falar pelas metades :-)