sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Chart: nada a declarar


US Leading Indicator

ECRI em 31 de outubro:

"With WLI growth plummeting to the lowest reading registered in its six-decade history, the outlook for the economy has darkened dramatically."

WLI = Weekly Leading Indicator

Fact On Cubes - credit spread


Credit spreads em Pindorama são chamados de travas de baixa. Vende-se uma opção com strike inferior e compra-se a de superior. Ganha-se se o underlying permanecer parado ou cair de preço. No caso o ativo-base é o Cubes (ticker QQQQ).

Algumas empresas de Pindorama aprenderam the hard way que não convém utilizar o instrumento da alavancagem ad eternum. Nada demais utilizá-la por períodos muito curtos quando os technicals estão a nosso favor.

Pelos quotes acima vende-se QAV KH-E (+1,68) e compra-se QAV KH-E (-1,18), produzindo um crédito de 0,50/lote. Uma provável queda do underlying para a faixa 30-31 (agora em 32,81) pode render um bom troco se houver alguma alavancagem mais forte. Zera-se com (pequeno) prejuízo se candle de 30 min fechar acima de 33 (idade de Cristo).

uma boa SEXTA FEIRA para todos

para mim, a versão de que foram os tais 30 bi que Ben diversificou em Reais que enfeitaram a festa ontem, pelo sim, pelo não, nem é mais pertinente hoje, mesmo porque amanhá é Sábado e vou pescar.

e vejo, com preocupação, a desejavel continuidade, ou não, do atual pull-bak (e que pulzão, hã?); que - sem presunções e nem canto de galo - foi, devidamente, e até detalhadamente, orquestrado pelo blog; afinados todos aqui; cada um mandando os seus posts tocarem harmoniosamente seus instrumentos, afinadíssimos idem, desde antes da abertura da partitura; com as três batutas vibrantes dos meus cumpadis Maestros, conduzindo, de forma impar, esta harmoniosa, linda, irreprochavel e impecavel opereta analítica.

BUT, preocupa-me o fato de a Matriz de WS, DJIA, estar melando a linha dos 9 KG e não dá para considerar tal ultrapassagem, ainda não clássica, como favas contadas - por ter furado e depois voltado e agora requebrado, justo ali naquela zona de agrião - e mesmo que nossa poquete, ainda festiva; esteja dando de ombros, enfeitados de confetes e serpentinas para o market gringo - lamentavelmente continuamos quintal e na ponta do meu lapis e nas medidas de meus Indicadores (uma velha régua, um compasso e um transferidor), temos muitos ativos importantes e índices idem, aqui e LÁ FORA, beijando, por baixo, uma certa linha azul.

KD os charts?

sei disso não... olhem os do BOB, do Fact, do KB, como eu faço; pois já acho um milagre conseguir digitar catando milho por milho e já estive várias vêzes tentado a dar um tiro no meu micro, tal nosso caótico nivel de relacionamento.

pessimismo?... não, ainda não... apenas um lembrete aos surfistas amigos e pensem que o que disse agora sejam agouros - nada disso, nadinha - pois ando, a tempos, com a vista ruim e devo estar redondamente enganado.

Sorry

Contagem Elliot US




vou colocando dia a dia as duas hipóteses, se encherem o saco é só falar que deleto
Interessante é que segundo Elliott quando uma onda 4 acontece em um triângulo a onda 5 seguinte NÃO é prolongada ou seja poderia terminar junto ao low de 2002. UHM, vamos esperar para ver.

Bovespa e DCA



KB já retratou a importância deste DCA. Vejam que os anterioes foram imediatamente abortados 1 ou 2 dias depois. Este é o primeiro com sequência de alta de 2 dias. Será "o fundo" ou um fundo?(by Fact).

O FUNDO pontos a favor:

1) DCA em estágio avançado do trend

2) Divergência em MACD, IFR, VLUD, UD, GMB20(ver glossário KB)

Um FUNDO pontos a favor:

1) não houve divergência em HL20 e 60(ver glossário KB)

2) não há sentimento para fundo de longo prazo.

3) saída de pessoas físicas intactas(by KB)

4) contagem Elliot US

PMI Industrial Japão

O PMI composto do Japão referente a outubro, divulgado hoje, caiu de 44,3 em agosto para 42,2 em setembro, o pior nível em quase 7 anos. O gráfico abaixo mostra a evolução do PMI composto na cor preta e a taxa de crescimento do Pib na cor azul clara.


Fonte: Nomura

O componente mais forward looking PMI New Orders sofreu o 2° maior declínio em termos de velocidade de deterioração na história desse leading indicator, sintoma já refletido nas exportações japonesas. O gráfico abaixo mostra na cor preta a evolução do componente New Orders e na cor cinza o ritmo dos embarques.


Fonte: Nomura

Input Prices (preço dos insumos) na cor cinza no gráfico abaixo está em cliff dive mode, sendo que em geral o seu comportamento é relacionado aos preços das commodities, em particular do aço e petróleo.

Uma notícia nada boa para as ações do índice Bovespa ligadas às commodities, embora parte da deterioração esteja embutida nos preços dessas ações.


Fonte: Nomura

PMI Europa Vendas no Varejo

O PMI Vendas no Varejo divulgado pela Bloomberg caiu de 46,2 em setembro para 44,3 em outubro, uma queda pelo 5° mês consecutivo. Esse dado antecipa em 1 mês o oficial a ser divulgado pelos governos.

Segundo pesquisa junto a mais de 1000 executivos na Alemanha, França e Itália, as taxas de aumento no desemprego nos setores de varejo desses países foram as mais altas nos últimos 4 anos devido à queda nas vendas e nas margens de lucros. Além disso, o poder de repasse dos custos caiu mais uma vez de forma evidente.

Na Itália o PMI Varejo caiu de 42,8 em setembro para 34,8 em outubro, a queda mais brusca na história desse indicador. Na Alemanha o PMI Varejo subiu de 44,6 para 46,7 em outubro, embora em nível de contração, pois se encontra abaixo do nível crítico de 50. Na França o PMI Varejo caiu de 50,5 para 48,5, o menor em 6 meses.

Outros dados fruto das pesquisas: (a) vendas muito abaixo do planejado; (b) o índice da expectativa de vendas para o próximo mês é o mais baixo desde julho de 2005; (c) preços de venda e margens de lucros sob pressão; (d) a taxa de corte nos empregos de funcionários do staff foi a maior nos últimos 4 anos; (e) as compras pelos varejistas caíram pelo 3° mês; (f) o índice de compras caiu de 47,9 para 47,5, tendo sido mais branda na Alemanha e França.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Monetary Base Has Gone Through The Roof !


Os números acima são chocantes. O primeiro mostra a expansão da base monetária ajustada dos EUA em termos absolutos. O segundo, a expansão percentual em relação ao ano anterior. Mr. Greenspan no início do bear market em 2000 tinha Fed Funds Rate em 6.50%. No final dele, estava em 1,25%. Mr. Ben começou seu processo expancionista em 1,5% sem que se confirmasse ainda um período recessivo nos moldes do National Bureau of Economic Research (NBER). No segundo chart percebe-se que essa tem sido a solução empregada pelos Chairmen do Federal Reserve ao longo dos anos. Dessa vez o resultado parece óbvio: após um período de deflação, necessário para ajustar expectativas de crescimento e preços, deverá surgir um extremamente inflacionário à medida que a liqüidez comece a inundar a economia. Em uma economia com deficiências estruturais já sérias a conseqüência será estagflação.

Um Pouco de História

Recorte de um artigo no jornal Gazeta Mercantil veiculado 1,5 mês antes do fundo registrado em janeiro de 1991(seta indicando 2200 pontos) mostrado no gráfico de longo prazo deflacionado pelo Ipca.


Fonte: Gazeta Mercantil

O Bear Foi Palitar os Dentes

A forte saída dos investidores dos mercados emergentes e a repatriação de capitais pelos cidadãos e empresas norte-americanos geraram uma enorme escassez de Dólares no mundo, motivo pelo qual a moeda norte-americana reverteu o seu longo movimento de baixa. Qualquer motivo que diminuísse esse estrangulamento serviria como uma razoável fonte de alívio.

A grande novidade ontem, e que serviu como um importante fator de realimentação da alta na Bovespa, foi a notícia de que o Fed estabeleceu um convênio de swap de moedas com alguns países emergentes, inclusive com o Brasil, oferecendo a esses países os tão escassos Dólares.

Conforme foi mencionado nesse espaço, o primeiro dia da reação do Bovespa foi através de um robusto DCA e que, diferentemente dos DCAs anteriores que serviram de armadilha para os comprados, a chance de uma reação mais duradoura ou mais intensa era maior.

São os grandes players quem dão o tom de uma tendência e a impressão minha é que alguns insiders já no dia do DCA tinham conhecimento do arranjo entre o Fed e o BCB e que foi capaz de gerar uma razoável sensação de alívio, claro que também ajudado por short covering (zeragem dos vendidos a descoberto).

Os 3 dias de alta apresentaram volumes bem robustos, inclusive hoje, e o índice Bovespa obteve sucesso no rompimento de uma primeira LTB, sinal de que a pausa no bear market deverá ser mais prolongada, conforme já suspeitávamos.

Não quer dizer que, depois de ter subido cerca de 25% desde a mínima mais recente o mercado continue apresentando o mesmo vigor. A região em torno de 42K, máxima intradia de um robusto DCB assinalado no dia 15/10, será um paredão para o Bovespa.

Embora não seja um leading indicator, sendo no entanto um coincident indicator, o dado sobre a expectativa do consumidor divulgado ontem pela FGV mostra que não se deve esperar muito dos resultados das empresas brasileiras por um bom par de meses e já se foi o tempo em que a bolsa subia no vazio.


Fonte: FGV / BCB / KB

O gráfico trimestral acima mostra a taxa anual de crescimento do Pib na cor preta, trimestre contra o trimestre do ano anterior, e a média trimestral da expectativa do consumidor, a curva vermelha obtida por regressão linear. No caso do 4° trimestre de 2008 usei o dado da expectativa do consumidor divulgado no mês de outubro, portanto, não é ainda a melhor representação do último trimestre, mas apenas uma idéia preliminar.

De qualquer modo, o quadro mostra que ainda não é hora de ser muito arrojado em relação aos objetivos do índice Bovespa.

Ontem eu mostrei o quadro que revela o sentimento entre os weak hands que operam opções. Quando essa turma se tornar otimista, mesmo sem excesso, e até o momento eles estão neutros, e a volatilidade implícita das opções cair abaixo do meu modelo, no momento está em 62,9% aa contra 47% aa pelo meu modelo, será novamente a hora de voltarmos a adotar uma extrema cautela, pois o processo de deleverage não terá uma solução pontual.

Apenas nos EUA nos próximos anos deverá ocorrer uma queima de dívidas de no mínimo U$ 20 trilhões, com a redução do leverage dos agentes econômicos de 360% do Pib para 200%, e que deverá exercer uma enorme força negativa e oposta aos estímulos fiscais e a uma política monetária mais frouxa.

os big shots...covardes todos?... US$ a 2 paus.

o Federal Reserve anda comprando moedas de outros países para DIVERSIFICAR seu 'cash flow' e, até aí tudo bem, dá para acreditar nisto... e, nesta atitude, 'defensiva', êle 'comprou' (hã?...) Reais, do Meirelles: 30 bi doletas!!!...(mas então deve ser o único Banco do Mundo que está DESCONFIANDO, EXPLÌCITAMENTE, DO DOLAR) e ainda baixa a Taxa assim uái (pra QUÊ?...salvar a Bolsa, não... pois LÁ, ela IA BEM e DESPENCOU.

para o BCB foi sòmente apenas ótimo; já tinha 200 na reserva e só na gaveta, 50 bo de verdinhas para defender o Real e eis que Alan ainda lhe dá tal baita colher de chá; então defender o Real de quê?: chama a turma da concórdia e, parece, CEDER, à pressão da midia dita 'especializada' já berrando contra o up da Taxa: 'se aumentar agora vai merdar a bolsa e...' (sintetizei, course) e antes de sabermos se aqui também a Bolsa, que ia tão bem, vai Somar.

é óbvio que os BCs são escravos de razões outras, bem maiores e fundamentais, dentro do complexo econômico-financeiro e agora, com a endemia da ganância derivativa (ainda NÃO DIAGNOSTICADA) fazem o que podem, but, vejamos como pode estar sendo interpretado; por muita gente, principalmente da torcida bursatil, LÁ e K; o quadro atual:

oa Bancos Centrais parecem não estar tentando apenas salvar os bancos e as economias das nações; eis que as autoridades monetárias, parecem, se importar também em acudir as Bolsas (hmmmm); seria bacana, se fosse possivel, se bem apenas e tão somente a nivel psicológico e desde que ninguém chegasse a interpretar, errôneamente, tais aparentes sinais, como paúra, ou desequilíbrio com pueris desvios, dos Bancos Centrais.

BUT (by Bob 4 ever), sabemos todos qual é a exata função primordial, de um Banco Central ou autoridade monetária - e, afinal - o que é estagflação, qualquer funcionário técnido de BC está careca de saber; assim, se a coisa tôda estiver centrada como deve; não podem tais autoridades dar uma de avestruz de mãos dadas com os Tezouros, esquecendo a estorinha principal dos derivativos de que ainda não levantaram a conta tôda pra gente pagar; pois, a faltar firmeza e hombridade, só nos restará acreditar na pontaria de S. Jorge, a cavalo, com sua velha lança, lá na LUA.

tiro no pé?

TOMARA QUE NÃO, VAMOS TORCER PARA QUE A LANÇA ACERTE O DRAGÃO, E BOA SORTE A TODOS.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

algo assustou o market gringo.

PUTZ:

TERÁ SIDO JUSTAMENTE TIO BERNANKE?

HEIN?

onda iv.3 lá pode ser deste modo


just now

não que seja tão importante assim...

MAS, curiosamente, now, FTSE ; Euronest 100 e antes, Nikkey (tanto Topix, quanto 225) furaram a suas zonas de agrião; enquanto, antes, Hang Seng... é... furou sim, ENTRETANTO, just now, DAX; Nasdaq; S&P500 e ELA, a MATRIZ, a locomotiva que é o índice Dow Jones, derrapam nas suas e para quem não se lembra vou reprisar aqui, a 'linha' que julgo crucial para DJIA:

9 KG.

e para nossa poquete a 'zona' (porque aqui não é uma linha e como sempre é uma zona):

34KG.

BOA SORTE PARA QUEM ESTÁ SURFANDO.

Capitulation Day: Wanted Dead or Alive

Esperava por um dia de capitulação do mercado na sexta-feira última quando o pre-market foi interrompido, não veio. Pelo contrário, o dia foi do tipo "lackluster". O price action acabou reforçando a convicção dos bottom-fishers.

Se estivermos diante dO FUNDO e não de UM FUNDO será a primeira vez (ou quem sabe, a segunda) na história dos mercados em que fundamentalistas e technicians ortodoxos chegaram a um consenso e deram-se as mãos. Em Pindorama os primeiros vêem barganhas "para deixar para os netos", como já li. Os segundos, que um bounce é iminente, dado o grau de sobrevenda. Por aqui ainda temos um festejado guru que "acertou" o fundo em 35k pts.

Estava ontem examinando um dado que achei curioso. O nosso ADR (ou BDR, como queiram) mais líquido apresenta um
"days to cover ratio" próximo de 1, o que em qualquer situação é considerado baixo. Na prática significa que os descobertos no ativo facilmente se cobrem e um short squeeze do tipo visto em VW no estágio atual é muuuito difícil (pra não dizer impossível). Há que se abrir um parênteses a respeito dessa estatística, tendo em vista que o uso crescente de Short e UltraShort ETFs - correlações inversas a um benchmark - podem estar sorrateiramente alterando a sensibilidade da mesma.

tem tuba na praia, tem sim...

tanto visitando esta aqui, quanto a nossa co-irmã do Fact, e não são poucos, mas, tudo bem, são visitas tão benvindas quanto as sardas e os patos; discretos e silenciosos, quase todos; tanto quanto os últimos com os quais somos e seremos sempre solidários, sim.

um ou outro, entretanto, como já acontece esporàdicamente, já aparece, dizendo um patati aqui, outro acolá, imitando suavemente patinho e novamente: tudo bem, são visitas tão benvindas quanto as sardas e os patos... desde que não virem suas tais bocarras pra cá.

já disse aqui que tuba bursatil é mutante e na caça mais se parece com os golfinhos, pois tanto anda quanto preda, em bandos - tipo planejada, harmoniosa, sutil e maquiavèlicamente - cercando os cardumes indefesos para o come-come insaciavel, natureza dêles.

e se aparecer inocentemente alguém, aqui, perguntando o que considero e ou como qualificaria um tuba - mais corretamente um golfinho de market, e se daria para nomear alguns ou melhor ainda, todos êles - pode saber êste leitor que quem pergunta é um dêles.

BOA SORTE A TODOS E VAMOS OBSERVAR OS REQUEBROS DO PULL

QUE POR ORA AINDA NÃO PARECE SER SÒMENTE MAIS UM PUMZÃO.

Por Algumas Horas VW Foi a Maior

Por algumas horas a Volks­wagen foi a empresa com o maior valor de mercado do mundo devido à recorrente imbecilidade dos gestores other people's money (comédia dos anos 90):

“...short sellers caught on the wrong end of a bet about the direction of Volks­wagen’s share price. Their scramble to cover losses sent the European carmaker’s price so high that on Tuesday morning it was – briefly but still ridiculously – the largest company in the world by market capitalisation.”

Some hedge funds may fail because they have incurred such big losses, but not many people will be weeping at that. The real cause for concern is the opacity of the German stock market. The immediate cause of the problem was Sunday’s revelation that Porsche, which has been engaged in a creeping takeover of VW...”

Fonte: Financial Times - October 28 2008 19:50

Escolhi uma profissão em que eu sempre serei nivelado por baixo por causa desses @#%$$@#!

But ...

A figura abaixo mostra 5 quadros. Os 2 gráficos à esquerda o índice Bovespa e mais embaixo o SPX, sendo que na parte superior de cada um dos gráficos as barras dos volumes financeiros normalizados (para expurgar a inflação e a deflação nos preços das ações), sendo que as setas verdes ascendentes são os DCAs.

À direita, de cima para baixo, a média dos preços das ações da carteira do Bovespa em relação aos respectivos valores patrimoniais no final de cada mês, sendo que o dado de outubro refere-se à última sexta-feira.

Mais embaixo o gráfico da média mensal da volatilidade implícita das opções do SPX (Vix) na cor preta e o meu modelo do Vix baseado na cor vermelha (correlação de 91% desde outubro de 2001 - no mês de outubro foram plotados os valores de ontem) e, finalmente, no gráfico mais embaixo, a evolução do spread de uma carteira de títulos HY (junk bonds).


Fonte: Bovespa / Bloomberg / KB

A animação de ontem começou no Japão com a proibição das vendas a descoberto (por que não aumentaram a margem na euforia?), seguido do short squeeze nas ações da VW na Alemanha, que desencadeou um short covering generalizado (zeragem de vendidos a descoberto) e, com os preços em forte alta, veio o esperado argumento de que as ações estão baratas e que as quedas têm sido exageradas.

Faço minhas as palavras de Stephen Jen do Morgan Stanley, em seu relatório de anteontem, onde ele avalia que as opiniões dos analistas, que ainda repetem os refrões “o sell-off nos ativos dos emergentes é injusto em vista dos fundamentos” e “os ativos dos países emergentes já caíram demais para quem ainda não vendeu”, mudarão para “o enredo sobre os emergentes teria ido longe demais?”.

A média dos preços das ações da carteira do índice Bovespa (1° quadro na parte superior à direita) em relação aos respectivos valores patrimoniais está na média entre a mínima registrada em 2002 e a máxima em 2007 e já se pode afirmar que as ações estão baratas? Em um quadro em que se assiste a um dos processos mais violentos de deleverage da The Mother of All Bubbles?! Eu não apostaria nisso.

Entre 10 altas como a de ontem, 9 acontecem em bear markets e 1 no início de um bull market. Uma alta estonteante em que no dia os spreads dos títulos High Yields (junk bonds) mal piscaram e que se mantiveram em níveis recordes, um dos melhores termômetros da saúde de um organismo econômico, em um dia em que a Ted Spread inclusive subiu, quase nada mas subiu, que reflete um empoçamento de liquidez sem precedentes, na presença de um chocante sentimento de neutralidade entre as pessoas físicas que operam opções na ISE, com o mês de outubro pintando ser o 2° mês de maior volume de ingresso financeiro de pessoas físicas via trading direto na Bovespa nessa década, superado apenas por junho, apostar no início de uma reação duradoura é no mínimo uma temeridade.

No entanto, não se deveria descartar a hipótese de uma continuidade na reação iniciada ontem, mesmo que o mercado devolva nessa quarta-feira parte dos ganhos do dia anterior. Ontem, dia 28 de outubro, a carteira do índice Bovespa registrou um robusto DCA, tendo subido 100% dos papéis da carteira. Foi um dia para lavar as almas dos sofridos comprados e mortal para os tardios vendedores a descoberto.

No gráfico na parte superior à esquerda do quadro acima, é mostrado que o extinto bull market terminou quando as bases de um duplo DCA (2 DCAs próximos com bases em níveis próximos) foram violadas (nesse caso o DCA muda de nome para DCA Clímax). Nos últimos 15 anos 75% dos pontos de inflexão (turning points) de um bull market foram registradas violações da base de um DCA, num quadro de elevada seletividade da tendência de alta, como foi o caso do falecido bull market. No restante, foram precedidos por DDs e ou iniciado por DCBs.

Os círculos no gráfico do índice Bovespa mostram os DCAs com bases violadas e os desastres que se seguiram. DCA em um bear market se torna uma espada de Dâmocles, pois se sua base for violada, corra primeiro para depois tentar entender o motivo.

No entanto, o DCA de ontem tem mais chance de ter sido o início de uma reação do mercado com uma duração maior do que temos visto, afinal os preços caíram na vertical e no SPX foram registrados 2 sinais que pelo price action dá alguma credibilidade para essa hipótese, além do fato da volatilidade implícita das opções do SPX (Vix) ter se esticado muito acima do valor chancelado pelo meu modelo, conforme se pode notar no gráfico do meio à direita.

Em primeiro lugar, no dia 27 de outubro, o SPX testou a sua mínima com um volume muito baixo, ou seja, assistimos a um padrão de fundo que é o reteste com baixo volume. Em seguida foi também registrado um DCA na carteira do SPX, embora não tão robusto como foi na Bovespa (em termos relativos).

E é por ai que, pelo exclusivo ângulo do price action, o bicho pode pegar mais adiante, pois frente ao que estamos assistindo seria necessário um DCA arrasa-quarteirão na carteira do SPX, necessário para a reversão desse indomável bear market, mesmo que temporária. Isso não aconteceu.

Além disso, tenho notado que de neutralidade as pessoas físicas na bolsa ISE rapidamente têm vestido a camisa dos bulls, bastando para isso alguns dias de reação.

Não é assim que um sólido fundo é construído.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Esperando pelo KB para saber se foi DCA



Aqui ontem new low com volume baixo e hoje um price action(reação) deste porte. É de pensar que possa ter alguma duração, mas ideal que tenha sido um DCA. Como opero com merreca (pobre é dose) entrei cadim ontem e restante hoje.

DJIA e SPX não perderam low do dia 10/10 então contagem ainda válida.

FUTURO II

(futuro?...leia antes os posts anteriores; principalmente o último, se ainda não o leu; senão, não vai entender bulhufas).


então vou lhe dizer o que eu diria:

"vão se casar e vão fazer uma linda viagem para os EUA, exatamente para Nova Iorque, aproveitando que as coisas por lá estão mais baratas e as passagens aéreas idem, pois viajarão pela Tam e vão se hospedar in the Hilton of New York ficando lá durante dez dias e dali vão para a Europa, em vôo da American Airlines, para passarem cinco dias em Paris, no Hilton de lá, voltando depois direto para o Brasil, pela Air France, em um ainda romântico vôo noturno, desembarcando em São Paulo e claro que sei até os horários e o que ambos vão aprontar nas suites dêste hoteis."

então, tenho uma bola de cristal?!

nada disso... e neste caso acima descrito, nem é preciso ter o trabalhão que tenho para olhar o market, tipo olhando e vendo (são duas coisas bem diferentes, sabia?) os charts (charts sim, aquela coisa que cada um interpreta como pode, ou como sabe, ou até como deseja...) - históricos e de CP - ambos sempre de um mesmo ativo, e assim com vários mercados, para um intra-comparativo temporal, e, geralmente, o comportamento que mais cuidadosamente observo é de mercados de Índices importantes; não para adivinhar nada, but, apenas, para afiar meu velho e enferrujado feeling.

além de ler os grandes macro-analistas do MFI - aqueles poucos, raros e geniais que não vivem repetindo achismos e nem besteiras e nem são suspeitamente ligados a agentes corretores e nem a govêrnos - além de, ÓBVIAMENTE, ler os tupiniquins de Pindô e prioritária e quase que exclusivamente os caras aqui dêste blog, o Bob; o Fact e o KB, os tais que nada ficam devendo aos internacionais e que por muitos dos últimos tempos, pincei de minha paciente batéia, após exaustivos anos de garimpo.

voltando ao casal, curiosidade há?

nadinha de mais, pois é tudo questão de informação, assim como no market e depende mais do ONDE; do QUANDO, do POR QUE ou POR QUÊ ou PORQUE e do COMO, como quase tudo, nesta vida, e, neste mundo.

seguinte:

ONDE: o casal estava dentro de uma igreja; ela vestida de noiva e êle de noivo; ao lado, mais pertinho, uma garotinha com uma almofadinha com duas alianças; ao lado de cada um dos noivos, e ainda perto, dois casais e na frente dêles um padre e ainda nos bancos da igreja um punhado de gente super bem vestida e nos bancos da frente uns poucos casais e uma senhora muito chorosa, e daí?... daí que não fica muiiiito dificil a gente, pelo menos pressentir, que, num futuro muiiiiito próximo, êles vão se casar, né?... QUANDO: daqui um pouquinho, course e QUANDO eu soube?... poucos dias antes, quando fui convidado para ser o par de altar de uma prima da noiva, sòzinha e madrinha e que então acabou me dizendo que êles iam viajar logo após a cerimônia e que ela, além de prima, a mais íntima amiga do casal, fôra encarregada por ambos da honraria de dar uma mãozinha, dias antes, marcando as reservas das viagens e das hospedagens... POR QUE?... ora bolas, porque sim e porque êles 'podiam', pô... e agora, finalmente, é a vez do COMO: como o quê?... eu não como nada e nem ninguém nesta estória e nada mais facil que justificar o como saber o que iriam os pombinhos fazer nas suites, onde quem come ambos são ambos... hã?... ainda o COMO?... se eu fiz o quê?!... se eu tive algo a ver com a tal prima?... me respeite, cara, que já sou um septuagenário, por mais que esta palavra seja quase que um palavrão, k-çild's.

é como digo:

tudo depende de estar BEM INFORMADO, não é mesmo?... ora bolas!... que mané bola que nada.

BOA SORTE A TODOS NESTE PULL... MAS SEMPRE COM 'TODOS' OS PÉS NO CHÃO E CANJINHA DE GALINHA QUE ESTA NUNCA FEZ MAL, PRINCIPALMENTE EM FESTAS CURTAS MESMO QUE MUITO ANIMADAS.

HOJE SOBE GERAL... but, como prever o futuro?

FUTURO I:

olhando charts?
comprando uma bola de cristal?
contratando uma mãe de santo ou um vidente?
fechando os olhos e fazendo fôrça para que lhe baixe um espírito?

nada disso; pois que tudo isso é palhaçada e só charlatanismo; e no último caso, aí acima, se o sujeito faz fôrça demais, êle pode é acabar pressionando demais a barriga e sujando as calças, né, uái?

mas que dá para prever, òbviamente dá e vou lhe dar um exemplo:

chega num lugar e vê um rapaz diante de uma garota, ôlho no ôlho.

o que você diria?

Mudança de Percepção? Se Afirmativo, Por Que?

A nota do risco soberano de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil equivalente à classificação da Moody´s é Baa3 desde o dia 30 de abril, ou BBB- pela S&P que, entre as 3 principais agências, foi a primeira agência a elevar a classificação do país. Diariamente, porém com um dia útil de atraso, o Fed divulga a média do spread Baa, que é uma coletânea dos spreads dos títulos com classificações Baa1, Baa2, Baa3.


Fonte: Fed / CMA

A figura acima mostra a evolução diária desde meados de 2005 da diferença entre o EMBI+ Brasil (um spread em si) e o spread entre os títulos Baa e a taxa do Treasury de 10 anos.

O EMBI+ Brasil caiu nessa segunda-feira cerca de 40 pontos percentuais, porém como o Fed divulga o spread Baa com um dia de atraso, não tenho conhecimento de como a curva da figura acima se comportou ontem.

O ponto é o seguinte, a partir do dia 22 de outubro inclusive, a curva acima deu um enorme pulo e atingiu os níveis registrados no final de 2005 quando o investment grade era um sonho plausível, porém distante. Se a diferença entre o EMBI+ Brasil e o spread Baa se estabilizar no nível mais recente teria havido uma brusca mudança para pior da percepção dos investidores sobre o Brasil.

A revista The Economist arriscou numa recente edição a afirmar que a intensidade da recessão mundial iria depender do comportamento das economias dos países que compõem o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Alguém se arriscaria a apontar o motivo dessa reação tão negativa na semana passada?

Quote Of The Day

“There is no means of avoiding the final collapse of a boom brought about by credit expansion. The question is only whether the crisis should come sooner as a result of a voluntary abandonment of further credit expansion, or later as a final and total catastrophe of the currency system involved.”
(Ludwig von Mises, Austrian Economist)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

When Hell Freezes Over...It Will?!

"When hell freezers over" (quando o inferno congelar) é um expressão yankee equivalente a "nunca", usada de forma enfática pelo interlocutor. A julgar pela manutenção dos níveis estratosféricos do TED Spread (Treasury - Eurodollar)* acima dos 200 basis points, percebe-se que o interbancário continua congelado. Hoje fechou em 267 bp. Não se sabe, portanto, ainda, se o inferno irá congelar ou não. A acomodação nesses níveis por mais um tempo irá - sem a atual participação intensa dos CBs - asfixiar todo o sistema corporativo. E nem as empresas com fortes cash positions estão imunes. You can run but you cannot hide. A asfixia nesse caso seria questão de tempo.

Ocorreu-me comentar sobre esse indicador porque os technicals monitorados por mim apontam para uma provável nova subida por alguns dias, depois de um top em forma de "V" no chart diário. No momento atual podemos entendê-lo como um risk aversion indicator, posto que com 200, 300 ou 400 basis points não há sistema interbancário do mesmo jeito.

* vide glossário do KB.

!

?
BUT,
há que
ser antes
da Matriz lá
de WS...o DJIA,
furar os 7.773,71;
ou então, sei não =

O Primeiro Rali desse Bear Market Poderá Dobrar os Preços

Tem muita gente esperando por um fortíssimo rali no mercado de ações. Eu também, afinal muita coisa de ruim está nos preços das ações. Não me refiro a uma alta de 10% em um dia para depois a reação se esgotar no dia seguinte ou 2 dias depois.

Eu me refiro a um rali entre 50% a 100%, ou seja, os preços podem até dobrar entre o início e o final da reação, sem que deixemos de estar em um bear market. Dado o grau oversold eu não ficaria surpreso se fosse de 100%, aliás, o meu palpite preferido, embora eu devo dizer que eu não opero palpite.

Só tem um pequeno problema nisso que eu estou afirmando. O problema reside no fato de não somente eu, mas a torcida do Corinthians também está esperando por esse rali.

Para eu evitar cair na armadilha que muitos estão caindo, de caçar fundo e assistir às suas poupanças virarem pó, eu antes vou ter a prudência de esperar pelo vôo dos patos, quero dizer, por fortes saídas das pessoas físicas (PF), além de pessimismo entre traders de opções lá fora. Conforme eu comentei, as PFs ainda estão jorrando dinheiro no mercado, tomadas pela síndrome da oportunidade perdida.

E o timing? Uma vez atendidas os requisitos mencionados, o timing seria dado pelo price action, leia-se DCA ou violação do topo de um DCB, com volume recorde, tipo arrasa-quarteirão.

Expectativas dos Empresários Alemães

O instituto alemão IFO divulgou hoje o índice que reflete a confiança do empresário alemão, ou seja, como estão enxergando o quadro atual, o pior índice desde maio de 2003, bem como o índice que reflete as expectativas quanto ao futuro, o pior desde janeiro de 1991 (unusual times, unusual targets) quando o instituto começou as pesquisas. O dado do IFO está em linha com o Flash Germany PMI Industrial divulgado na semana passada nesse espaço.


Fonte: IFO / ECB / KB

O gráfico mensal acima desde o início da década mostra na cor preta o gradiente da taxa média overnight do empréstimo clean (sem garantias) em Euro entre bancos na região do Euro até setembro (taxa conhecida como EONIA e equivalente à nossa taxa cdi), e a curva vermelha, obtida por regressão linear, o índice de confiança do empresário alemão, esse último adiantado em 5 meses (portanto é leading indicator da EONIA). A correlação no período acima foi positiva de +83,6%, bastante significativa.

Se a correlação mostrada no gráfico acima prevalecer, e não há razão plausível para um descolamento, espera-se uma redução de pelo menos 50 pontos base na EONIA nos próximos 3 meses. Como a EONIA acompanha a taxa básica fixada pelo BCE, espera-se um afrouxamento da política monetária desse banco central numa magnitude semelhante.

Embora faça parte do processo de ajuste, quando um BC reduz taxa básica de juros é porque as coisas não andam bem, assim como a atividade econômica, e o que mais importa para os investidores, os lucros das empresas.

domingo, 26 de outubro de 2008

Ainda Muita Complacência

Na semana passada uma conhecida firma de consultoria de investimentos estrangeira concluiu em Nova Iorque um encontro entre pesos pesados da área de gestão de recursos. Como é de praxe nesses encontros uma pesquisa entre os participantes sobre as perspectivas do mercado acionário global foi feita.

Por ser um relatório privado e eu não ter solicitado a permissão pra transcrever o texto na íntegra, eu sou obrigado a omitir o nome da consultoria, os participantes do evento e, obviamente, a credibilidade da informação se perderá bastante. De qualquer maneira segue um resumo dos resultados. Acredite quem quiser.

A maioria dos participantes espera um rali significativo do mercado de ações nos próximos 12 meses. Mesmo os mais pessimistas contam com uma recuperação parcial portentosa. Somente 2% dos participantes esperam que o mercado ainda caia bastante.

Está mais animado depois dessa informação? Eu não estaria.

Eu me lembro como se fosse hoje (ser mais rodado tem essa vantagem), lendo a revista Time no início da década de 90, alguns analistas conclamando os investidores sobre as oportunidades únicas de compra de ações japonesas, devido à enorme queda nos preços (o estouro da bolha começou a partir do 1° útil da década de 90). Já se passaram 18 anos e o Nikkei está a alguns poucos pontos da mínima intradia desse longo inverno.

Estamos assistindo à pior crise desde a Grande Depressão, cujas raízes são as mesmas, excesso de endividamento, diferindo apenas nos remédios ministrados. Mesmo em bear markets ferozes no passado não tão distante, melhores documentados do que o do início do século passado, a maioria dos analistas caçadores de fundos desistiu de descobrir o grande momento das compras nos fundos em 1974 e 1982, esse último o nascedouro de um duradouro bull.

Sentimento semelhante pode-se constatar em nosso meio. A minha percepção é de que o pequeno investidor está seguindo os conselhos de seus formadores de opinião, após ouvir apelos insistentes de numerosos analistas através dos diversos meios de comunicação sobre a oportunidade de ouro para o pequeno investidor.

Um Real gasto na compra de ações nos preços atuais vale muito mais do que o mesmo valor financeiro despendido no pico em maio. Portanto, para evitar tanto a inflação quanto a deflação nos preços das ações eu sempre elimino essas distorções, e o resultado é o que chamo de volume financeiro normalizado.

Adotado esse procedimento, no dia 15 de outubro (Bovespa em 36833 pontos) o volume financeiro normalizado das compras líquidas diretas na bolsa pelo investidor pessoa física foi recorde diário. Nesse mesmo dia a saída dos estrangeiros foi brutal, 35% superior às compras das pessoas físicas.

O último dado conhecido, referente ao dia 22 (Bovespa em 35069 pontos), o volume das compras das pessoas físicas foi bastante expressivo, tendo rivalizado com o recorde mencionado. Pelo andar da carruagem, o mês de outubro caminha para ser o 2° melhor mês da história mais recente em compras líquidas pelas pessoas físicas, somente superado pelo insuperável mês de junho.

O investidor pessoa física que preferiu os fundos mútuos de ações permanece quieto, congelado. Não compra mais, mas não sai.

Eu Já expliquei nesse espaço o motivo pelo qual eu excluo os multimercados (hedge funds) das minhas observações, fundos que têm encolhido devido a resgates monstruosos há muito tempo, mas eu julgo oportuno voltar a esse ponto.

Eu os excluo porque nesses casos a decisão de zerar os prejuízos pela pessoa física é psicologicamente menos dolorida, pois ela tem a desculpa de atribuir a culpa aos gestores, pois em geral não há a obrigatoriedade desses fundos investirem em ações. No caso das operações diretas na bolsa e nas aplicações nos fundos mútuos, a pessoa física somente pode atribuir a culpa a si mesmo.

Um rali aproveitável, que apresente um risco menor nas compras, se a história serve como um bom guia, somente acontecerá depois de assistirmos pelo menos a um mês de forte saída da bolsa pelas pessoas físicas.

Dada a seriedade da crise, eu afirmo, uma opinião sobre o longo prazo, que o bear market somente terminará com a desmoralização dos caçadores de fundo, da mesma forma que o extinto bull market desmoralizou todos os caçadores de topo.

Excelente Investimento Mas...

Unibanco dobra recompra e diz que papéis são "excelente investimento"
Valor Online24/10/2008 16:57
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O Unibanco acaba de anunciar que dobrou seu programa de recompra de ações, de 20 milhões de units para 40 milhões de units. Considerando a cotação dos papéis perto das 16h30, a R$ 9,83 (-14,52%), este programa representa cerca de R$ 393 milhões.
Segundo o vice-presidente corporativo do Unibanco, Geraldo Travaglia, esta é uma sinalização ao mercado de que as ações da instituição são "um excelente investimento".
Em teleconferência com a imprensa, o Unibanco confirmou a informação publicada pelo Valor Online, de que antecipou a divulgação do seu balanço do terceiro trimestre para poder dar continuidade ao programa de recompra de ações em um momento de queda acentuada dos papéis.
A Instrução 358 da CVM proíbe que acionistas controladores, diretores, membros do conselho de administração, do conselho fiscal e de quaisquer órgãos com funções técnicas ou consultivas comprem ações das próprias empresas em um período de 15 dias antes da divulgação das informações trimestrais. Assim, para efetuar essa operação, o Unibanco teria de esperar até a data de anúncio do balanço trimestral, em 6 de novembro.
Além de poder retomar a recompra das ações, o Unibanco também ressaltou que agora pôde voltar a conversar com jornalistas e analistas sobre seus números.
Ao ser questionado sobre por que as ações da instituição continuavam a cair mais que as de seus pares, mesmo com a divulgação do resultado para o mercado, Travaglia respondeu: "Eu não sei. A gente procura passar informações corretas, para que não pairem dúvidas em relação aos números do banco."
Além disso, o executivo ressaltou que a formação de preço das ações do Unibanco ocorre principalmente por meio da negociação com os ADRs em Nova York, onde ocorrem 70% dos negócios, e não na Bovespa. Desta forma, segundo ele, a cotação das ações estaria mais exposta ao humor do investidor estrangeiro, que precisa fazer caixa.
No comunicado em que divulgou seus resultados financeiros trimestrais antecipadamente, o Unibanco revelou que a marcação a mercado da posição de empresas clientes em contratos derivativos de câmbio era de R$ 1 bilhão em 23 de outubro. Isso significa que se esses contratos vencessem nessa data, o banco teria esse montante a receber. O banco ressaltou, no entanto, que não fica exposto a risco cambial nesse tipo de transação e que sempre que faz uma transação com o cliente, zera o risco com a posição contrária na BM & F.
Sobre o risco de crédito em relação a essa posição, a instituição ressalta que este volume de R$ 1 bilhão está dividido entre 33 clientes, o que dá uma média de US$ 30 milhões por contrato. Travaglia destacou ainda que são todas empresas exportadoras e de grande porte, com faturamento acima de R$ 500 milhões.

Bailout de um Bode Expiatório?

Na semana passada Roubini comentou que se houver uma débâcle de um hedge fund à la LTCM não haveria condições políticas para um bailout, pois essa categoria de fundos está na lista dos bodes expiatórios, e com razão.

O setor financeiro privado poderia vir a ser pressionado pelo Fed, como ocorreu no final da década de 90 no affair LTCM, de ter que entrar com dinheiro no socorro. E de que maneira?

Crash na Volvo

Através do Calculated Risk tomei conhecimento de que as ordens de vendas de caminhões de grande porte da Volvo no 3° trimestre despencaram para apenas 115 unidades em todo o continente europeu. Esse número se compara com ordens de 41970 caminhões no 3° trimestre de 2007. Uma queda de 99,7% e que dá a dimensão da crise.

Outro dado que me chamou a atenção foi a declaração do porta-voz da companhia de que enquanto que nos EUA e Japão a demanda tem sido fraca, na Europa houve um forte declínio.

Se esse dado espelhar o que está se passando na economia européia espere um Euro ainda mais fraco e, conseqüentemente, um Dólar mais forte com negativas repercussões sobre as cotações das commodities. Pior para o Brasil.

Esse dado reforça a minha impressão de que as pessoas, apesar de já terem tido consciência da crise, não têm ainda uma idéia dos desdobramentos que estão por vir.

sábado, 25 de outubro de 2008

Flash Eurozone PMI

O Flash Eurozone PMI divulgado pela Markit é uma prévia do PMI da zona do Euro que é divulgado no 1° dia útil de cada mês, e que abrange 85% da pesquisa integral. Serve, portanto, como um bom indicativo de que como deverá ser o PMI.

Por essa pesquisa divulgada nessa sexta-feira, o Flash PMI Industrial caiu de 44,1% em setembro para 40,5% em outubro, o menor valor da série iniciada em junho de 1997, um dado que revela uma significativa contração nos negócios.

O Flash ISM (PMI do setor de Serviços), mais inelástico, caiu de 48,4% para 46,9%. O dado referente ao setor industrial, embora menos representativo economicamente, mas por ser mais sensível ao ciclo econômico é muito mais informativo.

O componente forward looking, PMI New Orders (setor industrial), registrou a maior queda de um mês para o outro em toda a história da pesquisa, devido à queda nas ordens de exportações. No setor de serviços o componente New Orders registrou a 5ª queda consecutiva e a queda mais acentuada desde o mês de outubro de 2001.

Na Alemanha, até então a economia mais resiliente (um dos países que mais exporta no mundo) o Flash PMI Industrial caiu de 48,5% para 46,7% em outubro, o menor nível nos últimos 5 anos. Na França o indicador caiu de 47,1% para 45,1% em outubro. Vê-se que a queda do Flash Eurozone PMI foi generalizada.

Relembrando a regra n°1: “Nunca faça uma aposta a partir de considerações genéricas, em cima de achismos. Há um conjunto de variáveis técnicas e macroeconômicas que em geral andam na frente dos preços das ações. Fique de olho neles, são os indicadores antecedentes. Não são infalíveis, porém quando uma proporção razoável deles apontar para uma direção, tome-a.

Soa Familiar?

Segundo a Reuters as empresas China Railway Group e China Railway Construction Group, pertencentes ao maior grupo chinês do setor ferroviário e de construção de auto-estradas, divulgaram na última quinta-feira U$ 325 milhões de perdas no mercado de moedas (Forex).

A notícia emergiu poucos dias depois da empresa CITIC Pacific, mineradora de ferro, ter alertado sobre a possibilidade de perdas que poderiam atingir U$ 2 bilhões também no Forex.

Assistimos aos benefícios da globalização comercial e atualmente aos malefícios da globalização da estupidez.

Deflação?

Desde a sua criação em 1997 foi a 1ª vez que o mercado de títulos indexados ao Cpi (equivalente ao nosso Ipca) precificou uma taxa média negativa da inflação nos próximos 5 anos nos EUA, no valor de -0,34% aa.

Boa notícia? Não, péssima para a economia.

Isso se chama deflação e caso realmente ela se materialize seria a pior notícia para os devedores e a melhor notícia para os consumidores, que poderiam postergar as suas compras e, dessa maneira, dificultar ainda mais a vida dos devedores.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Stocks for the Long Run – III

Avaliar o comportamento do Bovespa nominal é esquecer que não existe inflação. Descontado pelo cdi é covardia.

Optei então por ajustar o índice Bovespa médio em cada mês pelo Ipca, sendo que em outubro eu usei o fechamento do Bovespa nessa sexta-feira, 31482 pontos, para melhor ilustrar o ponto em que nos encontramos. Estimei o Ipca de outubro igual ao de setembro.

O resultado foi o gráfico mensal abaixo que cobre o período desde janeiro de 1986, véspera do Plano Cruzado, até o dia de hoje, 24 de outubro.


Fonte: KB

Para quem não está familiarizado com esse exercício, o gráfico mensal acima mostra a história do Bovespa como se não tivéssemos tido inflação no passado, ou seja, a preços de hoje. As pontuações indicadas no gráfico comparam-se, portanto, com a cotação de fechamento nessa sexta-feira, 31482 pontos.

No bull market que já se foi, somente quem comprou até agosto de 2005 está ganhando, com exceção do pico em 2000. A partir desse mês está debaixo dágua, ou seja, perdendo para a inflação.

Denorex: Parece Mas Não É...

"O mercado transoceânico de matérias-primas continua muito bom"
(Roger Agnelli, setembro/08)

US Weekly Leading Indicator

Por ECRI nessa sexta-feira:

“The nose dive in WLI growth to within half a point of its all-time low underscores the speed of deterioration in the economic outlook."

Abaixo o achismo.

Postagem bem longa

"By the Law of Periodical Repetition, everything which has happened once must happen again, and again, and again -- and not capriciously, but at regular periods, and each thing in its own period, not another's, and each obeying its own law... The same Nature which delights in periodical repetition in the skies is the Nature which orders the affairs of the earth. Let us not underrate the value of that hint." -- Mark Twain


BLACK FRIDAY

Stocks for the Long Run - II

A minha base de dados do Nikkei 250 começa em 04/01/1984 quando fechou em 9927 pontos. Desde então só subiu, tendo atingido uma máxima intradia em 38957 pontos em 29/12/1989, ironicamente o último dia útil da década.

Depois disso a bolha estourou. Razão? Excesso de leverage (endividamento) que desembocou no deleverage à moda nipônica, a mesma razão que explica o filme que estamos assistindo.

Desde então o Nikkei 250 ingressou em uma longa congestão,um caixote, onde a mínima intradia foi em 7604 pontos em 28/04/2003.

Nessa sexta-feira o Nikkei fechou em 7649 pontos com queda de 9,6%, apenas 45 pontos acima da mínima intradia em 2003. Caso viole esse suporte, o Nikkei estaria abaixo do menor nível nos últimos 24 anos, pelo menos.

Spreads Aaa e PMI New Orders nos EUA

Há um feed back entre o spread Aaa e a atividade industrial. Quem é o rabo e quem é a cabeça? Eu penso que os papéis se alternam.

Observe o gráfico trimestral entre a média trimestral do gradiente do spread Aaa e do componente New Orders do PMI Industrial nos EUA, o mais forward looking dos seus componentes. A correlação negativa tem sido super estável em torno de -81% desde 1997.


Fonte: Fed / KB

A curva preta é o componente New Orders do PMI Industrial e a curva vermelha a evolução do gradiente do spread Aaa obtida por regressão linear para ilustrar a correlação.

Até o 3° trimestre do ano em curso os dados empregados foram as médias trimestrais das 2 variáveis, porém no 4° trimestre usou-se o último dado diário disponível do spread Aaa e o último mensal do PMI New Orders como se fossem as médias trimestrais nesse trimestre.

Uma dica. Apesar do setor industrial representar menos do que 10% do Pib dos EUA, por ser altamente cíclico (devido aos estoques), o PMI Industrial tem um poder de antecipação (leading power) maior do que o ISM Serviços (equivalente ao PMI do setor de Serviços que representa mais de 80% da economia).

CDS de 5 Anos de Países Emergentes

História deveria ser matéria obrigatória, com nota mínima de 9,5 para aprovação, em todas as modalidades na terra dos los hermanos, desde o pré-primário, 1° grau, 2° grau, faculdades de engenharia, medicina, direito, mestrados e doutorados, enfim, em todas as modalidades, e em economia deveria ser a única matéria.

Nunca aprendem com a História e são reincidentes.

Tabela abaixo mostra os spreads dos CDS de 5 anos de vários países emergentes em ordem decrescente (prêmio pago para proteção contra eventual default no prazo de 5 anos).


Fonte: Bloomberg

A fanfarronice do sem-palavras-para-descrever Hugo Chavez foi para o vinagre.

E o mercado irá dar cabo da beligerância russa.

Bottom Fishing Cartoon

Bottom fishing é o esporte praticado por alguns traders agressivos que consiste em tentar achar o fundo de um mercado :)



Não resisti.

Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay

O gráfico mensal abaixo, extraído do Enfoque (15 pilas Mr Botelho), mostra a evolução do preço do mercado futuro do índice Bovespa desde 1992, contratos bimensais "linkados".


Fonte: Enfoque

Para quem não está familiarizado, o preço do contrato futuro do Bovespa não é a previsão do mercado sobre qual será a cotação do índice Bovespa no seu vencimento, gafe grosseira que muitos jornalistas iniciantes cometem.

É simplesmente o índice Bovespa (cash market) acrescido dos juros cdi acumulados até a data de vencimento do contrato, cujo vencimento na BMF é bimensal.

O fundo no gráfico acima situa-se em 17,3 K, um suporte no gráfico do índice Bovespa nominal.

Mostrei apenas por curiosidade e saiba que a lei de Murphy é perversa.

CDS de 5 Anos dos Bancos

Da coluna da direita para esquerda os Credit Default Swaps de 5 anos dos bancos (prêmio pago para proteção contra eventual default no prazo de 5 anos) em 31 de dezembro, em 22 de outubro e 23 de outubro.


Fonte: Bloomberg

O CDS do Morgan Stanley que chegou atingir um pouco mais de 1000 pontos base (pb), foi cotado em 428,27 pb.

O ritmo das reduções dos CDSs diminuíram, porém os prêmios se estabilizaram.

O risco sistêmico, por ora, está sob controle.

A Quick Look At The Oil Index

Make or break in the markets, folks.

Breakdown levaria provavelmente o SPX (isso mesmo) pra baixo dos lows do último bear market. A meu ver um ponto mais confiável para um fundo mais bem trabalhado. Por outro lado, um breakout talvez levasse o Oil Index aos 1.100 pts. Em bear mkts convém ser mais generoso com os downsides e mais conservador com upsides. Essa é apenas uma suposição, já que uma estratégia que eu seguiria seria uma simples venda na região de oferta (l. tracejada superior).

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Que momento para sair esta news,

Diamante meio torto mas é figura de indecisão, hum...



Lucro da Vale salta 166%, para R$ 12,433 bilhões no terceiro trimestre

Valor Online23/10/2008 19:19

A mineradora Vale do Rio Doce registrou lucro líquido de R$ 12,433 bilhões no terceiro trimestre pelo padrão contábil brasileiro (BR Gaap), um salto de 166,9% em relação aos R$ 4,659 bilhões do mesmo período do ano passado. Foi o maior resultado trimestral da história da companhia. No acumulado do ano, a Vale lucrou R$ 19,259 bilhões, um avanço de 23,5%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Lajida) ficou em R$ 11,352 bilhões no terceiro trimestre, uma alta de 41,9% em relação aos R$ 7,997 bilhões de igual período de 2007. No ano, o Lajida cresceu 4,7%, para R$ 28,463 bilhões.
A receita operacional bruta da companhia entre julho e setembro ficou em R$ 21,387 bilhões, 33,4% a mais que os R$ 16,037 bilhões do terceiro trimestre do ano passado. Nos nove primeiros meses do ano, a receita bruta foi de R$ 54,820 bilhões, mostrando alta de 7,8%.
(Valor Online)

De Onde Viria o Funding?

Se aparecer peixe grande ou mesmo médio, de onde o BB e a Caixa iriam levantar a grana? Captando através de CDBs?

Haveria diluição de capital dos acionistas minoritários dessas duas instituições devido a uma eventual aporte do Tesouro no capital do BB e da Caixa?

não sejamos apenas pessimistas, sem repique ou pic-nic

não será apenas pelos primeiros fantasmas do the dead cat bounce que deveremos nos esquecer que gato tem 7 vidas e ao ver que, FINALMENTE, a midia financeira, tanto a internacional, quanto, e finalmente, a tupiniquim, já muda o tom pacificador e hmmm conciliador sôbre os primeiros efeitos da Big wave, para falar de realidades óbvias, a gente já pode até tentar e conseguir ler alguma coisa mais respeitavel aqui e ali, tipo o telegrama que li, da Tsú pra Pindô: "calma, ainda não sou eu não, isso aí é só minha Comissão de Frente pois quero entrar com gala e depois dos 34 abram alas".

BUT (by Bob, course), já é irreversivel o estrago enorme que as contemporizações dos noticiaristas e comentaristas - os tais experts e certas 'otoridades' - já causou na plebe ignara que hoje carrega; ainda esperançosa, o baita piano bursatil; no tal faz de conta que não vai doer porque já vai passar; passando assim a mão na cabeça dos patos inocentes; apegadíssimos aos seus bichinhos de pelúcia, digo às suas shares; ao invés de alertá-los, como procura-se fazer aqui, até com eventuais refrêscos que alguns, de tão crentes na institucionalização da mentira, consideraram como feijoada e nem siquer cogitaram de usar, mesmo tardiamente, a saida de incêndio.

como tem irrepreensivelmente detectado o nosso indefectivel mestre KB, com issues e constantes ilustrações irrepreensiveis, assim como os charts históricos e posts dos meus veneraveis mestres FactFinder e BobDoc; é realmente preocupante notar que mesmo estando o teto de zinco do barraco bursatil pegando fôgo; e o Titanic já abandonado pelo di Caprio que foi morar com a donzela no iceberg; e mesmo após sentir o ardor na pele; os ratinhos cobaias da monumental Transferência, não pulam do barco furado.

na verdade, pato nenhum tem obrigação de reconhecer a saga de Robin e ou a capa do Batman despencando pelo Right Shoulder do H2&S histórico da Matriz de WS, ou mesmo a Divergência Negativa Histórica daquela locomotiva do market mundial com o confiavel velhote Índice 9; siquer entender da mudança de atitude de um boi e a extinção de sua libido de pica depois que o tempo e os picos lhe passam o Burdizzo ou a faca no saco: mas também não pode dar uma de cego, surdo, mudo e estático, vendo os Grandes saindo na frente...e ficarem ainda quietos, esperando Santa Edwiges.

quem montar uma fábrica de vassouras hoje, já que a indústria de botes, remos e boias já saiu na frente, vai ter que suar pra atender os pedidos após a tal ondaça passar, tamanha vai ser a sujeira que vai aparecer nas praias financeiras do munco inteiro e a coisa já tá mostrando as unhas, com orgãos fiscalizadores [agora ( pôiZé...só agora)] tentando preventivamente lavar as mãos na bacia de pilatos, com normativas & us cambáus, querendo saber dos tais derivativos e etc... mas que coisa, né, uái?...

daí que não sejamos apenas pessimistas, sejamos realistas; capazes de tomar atitude corajosa, a que fiquem cicatrizes na gente, mas, só a Inês morta... [a propósito, a tempos, a recém debutada bolseta pindorâmica estava com 17, ela foi cantada a mim por um antigo amigo, nick LK, que iria a 34 (pois estava era magra); ao que lhe respondi que só se êle a engravidasse pois a Matriz não iria dobrar tão cêdo e nem o quintal: e logo ela, placenta DESCOLADA dobrou, e aí, depois, inchou e deu os quadrigêmeos 74; enxertada que foi brutalmente, pelos 'investidores estrangeiros' de LÁ (e idem de K)].

só que êles já sairam.

BOA SORTE A TODOS!

E La Nave Va

Lá fora o Ted spread (TS) caiu mais 20 pontos percentuais, de 274 pp para 253 pp. É um bom sinal, porém é muito cedo para comemorar.

Essa melhora nem de longe tem se refletido no mundo real das empresas e nem deveria ser diferente, pois a média histórica do TS gira em torno de 45 pp. Todos os spreads das corporações não-financeiras continuam furando o teto. Não tem tido trégua.

Nem têm condições ainda de sair a campo, mas quando tiverem os bancos somente enfiarão a mão no bolso após contar direitinho os mortos e os feridos. O campo permanece muito minado, as surpresas continuam pipocando e os dominós caindo.

Na ISE os traders de opções continuam mantendo a mesma postura fleumática. Caramba, pensei que já tinha visto de tudo nesse mercado! Vide posts a respeito.

Do nosso lado, as pessoas físicas decidiram vender um pouquinho no último dia 20, através de transações diretas na bolsa. Nos fundos mútuos (multimercados excluídos) permanecem congelados. Em resumo, continuam entalados. Anotem, irão "panicar", mas quando? Vide posts anteriores.

Anúncios atrapalhados. Swap lines? Com quem? Argentina? Cruz credo. Já não se fazia isso antes, sem Medidas Provisórias? Nacionalização de bancos? Quanta ironia do destino, por um acaso finalmente o PT está executando o seu programa.

E eu que pensei que eu tinha plotado errado o gráfico do DI (taxa de juros)! O nosso "Ted spread" visitou o espaço sideral!

Enquanto isso o nosso presidente preocupadíssimo com sua popularidade. Contenha-se Bob, senão seu comentário será deletado. Aguia e Fact, fiquem atentos.

CEO Confidence 6 Months Ahead

O indicador acima, referente ao 3° trimestre, foi divulgado dias atrás. Reflete a visão média dos CEO norte-americanos sobre a economia de seu país nos 6 meses subsequentes à pesquisa.
Por enquanto nada a comemorar.

Característica: leading indicator
Periodicidade: trimestral
Correlação com lucros da carteira do SPX: +74% na presente década
Poder de antecipação: 6 meses


Fonte: Conference Board

A fronteira dos 50% separa o céu do inferno. Em 2002 antecipou em 6 meses o final do bear market, conforme indicado pela seta na figura acima.

No 2° e 3° trimestres de 2006 deu uma mergulhada abaixo de 50%, porém reagiu até o 1° trimestre de 2007. Depois disso, só mergulhou. O topo do SPX foi registrado em setembro de 2007.

De um sábio chinês: escutar o som do trovão não é sinal de bom ouvido.

O Modo de Agir de Qualquer Governo

Se o mal for evitado por uma ação preventiva, um governo não terá como justificar a dor causada pelo remédio amargo. Daí que ...

Governos não agem, apenas reagem.

Pior ainda quando reagem mal.

Post do dia 20/10 mas importante

Diferentemente do que foi publicado em notícia anterior, a CVM nega que a edição da medida que torna obrigatório o detalhamento das exposições das companhias abertas a instrumentos derivativos já no balanço do terceiro trimestre - o que significa que algumas empresas que já publicaram seus demonstrativos financeiros terão que fazer uma reapresentação - seja uma resposta aos recentes prejuízos divulgados pela Sadia (R$ 760 milhões), Aracruz (R$ 1,9 bilhão) e Grupo Votorantim (R$ 2,2 bilhões) com operações de derivativos atrelados à variação cambial. Segundo a CVM, a decisão foi tomada "em vista do atual cenário de volatilidade nos mercados nacional e internacional". A seguir, a íntegra corrigida:SÃO PAULO - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou hoje uma norma para obrigar que as empresas apresentem esclarecimentos adicionais e detalhados sobre suas exposições a contratos de derivativos já no balanço do terceiro trimestre. As empresas que já divulgaram seus resultados trimestrais ou que tenham agendado a publicação dos número para a próxima semana (até o dia 24) terão como prazo final o dia 14 de novembro para enviar uma nova versão das suas demonstrações financeiras, desta vez com as informações adicionais solicitadas pela CVM. Segundo José Carlos Bezerra, gerente de normas contábeis da autarquia, a decisão não tem relação com os recentes prejuízos divulgados pela Sadia (R$ 760 milhões), Aracruz (R$ 1,9 bilhão) e Grupo Votorantim (R$ 2,2 bilhões) com operações de derivativos atrelados à variação cambial.Ele diz que a norma apenas torna obrigatório o que já era uma recomendação feita pela autarquia por meio de ofício circular. Segundo ele, a decisão foi tomada neste momento, mesmo estando no meio do calendário de divulgação dos balanços (o que obrigará a reapresentação de algumas demonstrações financeiras), por conta "do atual cenário de volatilidade nos mercados nacional e internacional". De acordo com as determinações da Deliberação nº 550, publicada hoje pela autarquia, as empresas deverão apresentar "informações qualitativas e quantitativas sobre todos os seus instrumentos financeiros derivativos", estejam eles ou não registrados no balanço como ativos ou passivos.Segundo a CVM, as notas explicativas devem permitir que os usuários identifiquem a natureza financeira do contrato e também a relevância dos derivativos para a posição financeira e para os resultados da companhia. A autarquia pede ainda "linguagem clara, objetiva e concisa".A norma diz que a empresa deve apresentar sua política de uso de instrumentos de derivativos, bem como sua estratégia de gerenciamento de risco e de proteção patrimonial (hedge). Devem ser divulgados ainda o valor justo das exposições da empresa e os critérios e premissas para sua determinação. A CVM diz também que devem ser apresentados de forma segregada as operações usadas para hedge "daquelas com outros propósitos".A autarquia recomenda o uso de uma tabela que aponte os tipos de contratos, os mercados em que são negociados, o valor nocional, as perdas ou ganhos contabilizados e especificações sobre a existência de depósito de margem de garantia e seu valor.A Deliberação nº 550 ainda incentiva, mas não obriga, a divulgação de três diferentes cenários que evidenciem o impacto que a variação de indicadores de referência dos derivativos podem ter para as contas das companhias.O primeiro seria de uma situação considerada "provável" pela administração. O segundo de um cenário "possível", com deterioração de 25% na variável considerada, e o terceiro tido como um teste de estresse, com variação de 50%.A CVM lembra que, além editar esta deliberação, ela segue trabalhando na adaptação do padrão contábil brasileiro às normas internacionais IFRS e que deve colocar em audiência pública, em breve, em conjunto com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), o pronunciamento contábil que trata do reconhecimento, mensuração e evidenciação de instrumentos financeiros.(Valor Online)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

prefiro os avisos das cassandras aos cantos das sereias

após ler - depois de me surpreender ´momentâneamente', com o início, but só com o início - o último poste fincado indelevelmente aqui, por uma certa fera, ocorreu-me, relembrando comentários e contra-observações dialéticas recentes de outras - com nossos visitantes que nos honram com suas participações construtivas aqui no blog que... a respeito de certos pontificados de alguns comentaristas bursateis, very lights e por vêzes até exageradamente otimistas... que há que se lê-los com caluda!!!

pois, se a intenção fosse apenas acalmar o mercado, tipo o lulinha com manteiga, ela dispensaria certas convocações escancaradas e pior ainda, certas colocações outras, sutis, aparentemente inocentes (e inconscientemente talvez até sejam, quem sabe?)... BUT

on the other hand

a sutileza, quase subreptícia de se dizer que ações - estas ou aquelas, ou pior, que ações no geral - estão "mais baratas"; induz sim; mesmo que subliminarmente; o investidor ou especulador menos calejado - e tal sutileza é, deliberadamente ou não, sedutora, principalmente para os que não entendem nada de AF e que não sabem siquer qual a diferença entre o valor patrimonial e valor o transacional de mercado de um ativo - levando muitos a pensarem, sim, que estão, MESMO, "BARATAS"!!!


seguinte, sem complicar tá?... porque a 'coisa' é muiiito simples:

se algo estava sendo cotado a 100, e está agora a 50: está "mais barato"?... óbvio que sim.

BUT!... 'isto' aí, NÃO significa - de jeito nenhum MESMO - que esteja, VERDADEIRAMENTE BARATO,

...SE VALER SÓ 20!!!...



não conheço os caras citados, de ouvir falar sim, mas isso já é outra coisa que serem bem conhecidos: 'áxu'.

o Mailson feijão com arroz é um cara BEM conhecido, talvez até sem muito tempêro, mas equilibrado: leio.

BOA SORTE A TODOS.

Momentaneamente, Xô Cassandra

Tantas são as notícias ruins que eu tenho divulgado que estou me sentindo pior do que a Cassandra. Pelo menos a forte redução nos últimos dias do Ted spread, a diferença entre a taxa Libor e a do T Bill (Tesouro norte-americano) de 3 meses, me deu a oportunidade de enxotar momentaneamente essa figura mitológica.


Fonte: Bloomberg

Embora esteja a léguas de distância do spread médio nos últimos anos, em torno de 45 pontos percentuais, a tendência do Ted spread tem sido favorável. Sendo o T Bill um título considerado sem risco (ou quase), quando o Ted spread se reduz significa que os bancos estão mais dispostos a trocar funding entre si, pois a queda relativa da taxa Libor é a tradução de uma maior oferta interbancária.

A palavra momentaneamente foi a deixa para a Cassandra voltar. Apesar da tendência de normalização das relações interbancárias, o vital, importantíssimo, representante da la creme de la creme, o spread Aaa bateu novo recorde e o Baa em parabólica. Nem me atrevo a falar dos HY.

Habits Die Hard

Segundo o Goldman Sachs até há pouco meses o crédito era farto na Europa Oriental e a taxa de crescimento da região robusta, com a exceção da Hungria.

A inflação em alta, um fenômeno mundial que até há pouco tempo era o foco das preocupações da maioria dos BCs, forçou a elevação das taxas de juros e como subproduto, o fortalecimento das moedas locais.

Bancos da zona do Euro, com farto funding (financiamento) nessa moeda, invadiram a região em larga escala e participaram do crescimento do crédito local.

Tais bancos operando com empresas expostas a um descasamento (mismatching) de moeda, com operações na moeda local e funding em Euro, estão agora em apuros com a redução da disponibilidade de crédito devido ao processo mundial do deleverage, juntamente com os tomadores dos empréstimos. Soa familiar?

Para complicar o quadro, segundo o Goldman Sachs, as desvalorizações das moedas não têm facilitado as tarefas dos BCs locais. E para piorar ainda mais, os países da região participam da lista dos mais vulneráveis devido aos deficits em transações correntes.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Pullback pode não ir longe




grande novidade, com tanta lama aparecendo por ai. Argumentos não faltam vide post do KB, FACT e Aguia. O que mais me assusta é a falta de volume; mesmo que o topo do DCB seja rompido tem a LTB principal logo acima. Se surgir um DCA ai sim pode ser de respeito.
É claro que quem vai decidir é a matriz

Na Vida Como no Mercado, o Segredo É a Rápida Adaptação

Há tempos que eu cultivo a idéia de que a velocidade dos acontecimentos, a queda ininterrupta dos preços das ações e das diversas moedas frente ao Dólar, têm provocado uma certa paralisia na maioria dos gestores.

A vasta maioria, essa tem sido a minha percepção, tem esperado por uma pausa, uma recuperação nem que seja parcial devido ao grau oversold do mercado de ações, para então decidir se diminuem ou não as suas exposições no mercado de ações.

A capacidade de adaptação tem sido a chave da sobrevivência das espécies e o mesmo princípio se aplica a quem deseja ser um vencedor no mercado. Quem não se adapta rapidamente, se estrepa.

Parece ser essa também a percepção de Stephen Jen do Morgan Stanley quando afirmou em seu recente relatório basicamente o seguinte (o seu inglês não é para principiante, então decidi fazer um resumo):

(a) alguns gestores rápidos em apertar o gatilho diminuíram suas exposições nos mercados emergentes;
(b) fundos que somente operam na ponta de compra estão assistindo à erosão de suas carteiras expostas aos mercados emergentes e resistindo em realizar perdas;
(c) as corporações, igualmente, provavelmente mal reduziram as suas exposições nos emergentes;
(d) Stephen Jen suspeita que a maioria acredita que o pior já passou nos emergentes e estão esperançosos de que haja uma recuperação parcial dos mercados (rebound);
(e) Stephen Jen não compartilha com a visão de que os mercados emergentes atingiram o equilíbrio.

O Mundo Estava Short no Dólar

Tempos atrás eu comentei que a correlação positiva entre o câmbio EUR/U$ e o spread entre as taxas dos títulos do Tesouro norte-americano de 2 anos e a média dos Eurobond do mesmo prazo até agosto desse ano era algo em torno de +90%, ou seja, andavam pari passu.

Desde então a correlação evaporou-se e a explicação da Goldman Sachs na época era de que o mundo estava short (vendido) em dólares, pois a moeda americana não parava de se valorizar perante o Euro apesar de um certa estabilidade do mencionado spread.

Os países do G7 têm um acordo de swap lines com o Fed. Quando um dos BC do G7 precisa de dólares, entrega a moeda local ao Fed em troca de dólares. Esse acordo inexiste entre o Fed e os países que não pertencem ao G7.

A Coréia do Sul é um país que apresenta uma elevada dependência em relação às exportações, não pertence ao G7 e não tem um acordo de swap lines com o Fed. Para manter o gigantesco volume de exportação as empresas coreanas necessitam de linhas de financiamentos e elas estão escassas com o credit crunch.

O gráfico abaixo mostra a evolução da relação exportações versus Pib da Coréia do Sul desde o início da década de 80.


Fonte: Reuters Ecowin/ GaveKal

Com a escassez de linhas em dólares, a moeda da Coréia do Sul, o won, tem sofrido recentemente um colapso. Não bastassem esses problemas, a Coréia do Sul, segundo GaveKal, é o país asiático que mais se parece com os anglo saxões em termos de padrão de consumo e os indivíduos daquele país estão endividados até o talo.

Michael Pettis, um professor de finanças na Universidade de Pequim, ex-trader de mercados emergentes, sem o viés de quem trabalha para uma sell side firm, uma bela combinação por sinal, alerta sobre eventual contágio na China proveniente da Coréia do Sul:

"Trying to understand China is so difficult and complicated that in the past few years I have tended to neglect most of the rest of world and just focus on the Chinese monetary and financial systems. Now, however, I think it makes sense to get a better understanding of what is happening in neighboring countries. South Korea could prove to be a real problem for China. Remember that the 1997 Asian crisis saw large hot money outflows from China and real problems develop in its banking system, even though China had none of the balance sheet vulnerabilities that caused the crises in the afflicted countries."

E lembra a exposição dos bancos chineses na bolha imobiliária:

"This time it does – most significantly heavy exposure to the real estate sector (as much as 40% of all loans, according to a senior CSRC official, even though only half of them are classified that way), excessive credit expansion, and too much capacity."

Mais detalhes sobre o arrazoado de Michael Pettis, clique aqui.